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terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Internet nasceu praticamente sem querer. Foi desenvolvida nos tempos remotos da Guerra Fria com o nome de ArphaNet para manter a comunicação das bases militares dos Estados Unidos, mesmo que o Pentágono fosse riscado do mapa por um ataque nuclear.
 
Quando a ameaça da Guerra Fria passou, ArphaNet tornou-se tão inútil que os militares já não a consideravam tão importante para mantê-la sob a sua guarda. Foi assim permitido o acesso aos cientistas que, mais tarde, cederam a rede para as universidades as quais, sucessivamente, passaram-na para as universidades de outros países, permitindo que pesquisadores domésticos a acessarem, até que mais de 5 milhões de pessoas já estavam conectadas com a rede e, para cada nascimento, mais 4 se conectavam com a imensa teia da comunicação mundial.
 
Nos dias de hoje, não é mais um luxo ou simples questão de opção uma pessoa utilizar e dominar o manuseio e serviços disponíveis na Internet, pois é considerada o maior sistema de comunicação desenvolvido pelo homem.
 
Com o surgimento da World Wide Web, esse meio foi enriquecido. O conteúdo da rede ficou mais atraente com a possibilidade de incorporar imagens e sons. Um novo sistema de localização de arquivos criou um ambiente em que cada informação tem um endereço único e pode ser encontrada por qualquer usuário da rede.
 
Em síntese, a Internet é um conjunto de redes de computadores interligadas que tem em comum um conjunto de protocolos e serviços, de uma forma que os usuários conectados possam usufruir de serviços de informação e comunicação de alcance mundial.
 
Histórico
 
Desenvolvida pela empresa ARPA (Advanced Research and Projects Agency) em 1969, com o objetivo de conectar os departamentos de pesquisa, esta rede foi batizada com o nome de ARPANET.
 
Antes da ARPANET, já existia outra rede que ligava estes departamentos de pesquisa e as bases militares, mas como os EUA estavam em plena guerra fria, e toda a comunicação desta rede passava por um computador central que se encontrava no Pentágono, sua comunicação era extremamente vulnerável.
 
Se a antiga URSS resolvesse cortar a comunicação da defesa americana, bastava lançar uma bomba no Pentágono, e esta comunicação entrava em colapso, tornando os Estados Unidos extremamente vulnerável a mais ataques.
 
A ARPANET foi desenvolvida exatamente para evitar isto. Com um Back Bone que passava por baixo da terra (o que o tornava mais difícil de ser interrompido), ela ligava os militares e pesquisadores sem ter um centro definido ou mesmo uma rota única para as informações, tornando-se quase indestrutível.
 
Nos anos 1970, as universidades e outras instituições que faziam trabalhos relativos à defesa tiveram permissão para se conectar à ARPANET. Em 1975, existiam aproximadamente 100 sites. Os pesquisadores que mantinham a ARPANET estudaram como o crescimento alterou o modo como as pessoas usavam a rede. Anteriormente, os pesquisadores haviam presumido que manter a velocidade da ARPANET alta o suficiente seria o maior problema, mas na realidade a maior dificuldade se tornou a manutenção da comunicação entre os computadores (ou interoperação).
 
No final dos anos 1970, a ARPANET tinha crescido tanto que o seu protocolo de comutação de pacotes original, chamado de Network Control Protocol (NCP), tornou-se inadequado. Em um sistema de comutação de pacotes, os dados a serem comunicados são divididos em pequenas partes. Essas partes são identificadas de forma a mostrar de onde vieram e para onde devem ir, assim como os cartões-postais no sistema postal. Assim também como os cartões-postais, os pacotes possuem um tamanho máximo, e não são necessariamente confiáveis.
 
Os pacotes são enviados de um computador para outro até alcançarem o seu destino. Se algum deles for perdido, ele poderá ser reenviado pelo emissor original. Para eliminar retransmissões desnecessárias, o destinatário confirma o recebimento dos pacotes.
 
Depois de algumas pesquisas, a ARPANET mudou do NCP para um novo protocolo chamado TCP/IP (Transfer Control Protocol/Internet Protocol) desenvolvido em UNIX. A maior vantagem do TCP/IP era que ele permitia (o que parecia ser na época) o crescimento praticamente ilimitado da rede, além de ser fácil de implementar em uma variedade de plataformas diferentes de hardware de computador.
 
Nesse momento, a Internet é composta de aproximadamente 50.000 redes internacionais, sendo que mais ou menos a metade delas nos Estados Unidos. A partir de julho de 1995, havia mais de 6 milhões de computadores permanentemente conectados à Internet, além de muitos sistemas portáteis e de desktop que ficavam online por apenas alguns momentos. (informações obtidas no Network Wizard Internet Domain Survey, http://www.nw.com).
 
Histórico da Internet no Brasil
 
A história da Internet no Brasil começou bem mais tarde, só em 1991 com a RNP (Rede Nacional de Pesquisa), uma operação acadêmica subordinada ao MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia).
 
Até hoje a RNP é o "backbone" principal e envolve instituições e centros de pesquisa (FAPESP, FAPEPJ, FAPEMIG, etc.), universidades, laboratórios, etc.
 
Em 1994, no dia 20 de dezembro é que a EMBRATEL lança o serviço experimental a fim de conhecer melhor a Internet.
 
Somente em 1995 é que foi possível, pela iniciativa do Ministério das Telecomunicações e Ministério da Ciência e Tecnologia, a abertura ao setor privado da Internet para exploração comercial da população brasileira.
 
A RNP fica responsável pela infra-estrutura básica de interconexão e informação em nível nacional, tendo controle do backbone (Coluna dorsal de uma rede, backbone representa a via principal de informações transferidas por uma rede, neste caso, a Internet).
 
O surgimento de um Mercado Comercial
 
No meio dos anos 80, havia um interesse suficiente em relação ao uso da Internet no setor de pesquisas, educacional e das comunidades de defesa, que justificava o estabelecimento de negócios para a fabricação de equipamentos especificamente para a implementação da Internet. Empresas tais como a Cisco Systems, a Proteon e, posteriormente, a Wellfleet (atualmente Bay Networks) e a 3Com, começaram a se interessar pela fabricação e venda de roteadores, o equivalente comercial dos gateways criados pela BNN nos primórdios da ARPANET. Só a Cisco já tornou-se um negócio de 1 bilhão de dólares.
 
A Internet está tendo um crescimento exponencial no número de redes, número de hosts e volume de tráfego.
 
Outro fator primordial que existe por trás do recente crescimento da Internet é a disponibilidade de novos serviços de diretório, indexação e pesquisa que ajudam os usuários a descobrir as informações de que precisam na imensa Internet. A maioria desses serviços surgiu em função dos esforços de pesquisa das universidades e evoluíram para serviços comerciais, entre os quais se incluem o WAIS (Wide Area Information Service), o Archie (criado no Canadá), o YAHOO, de Stanford, o The McKinley Group e o INFOSEEK, que são empresas privadas localizadas no Vale do Silício.
 
O novo jeito de Vender
 
Este é um tema moderno e ao mesmo tempo tradicional envolvendo televendas e teleatendimento. A principal questão está centralizada na nova filosofia de percepção de compra eletrônica, na definição de um internauta e sua percepção de realização da compra através de um novo canal de comunicação, a Internet.
 
Para compreender a filosofia do comércio eletrônico é necessário entender o mecanismo de televendas e teleatendimento como sendo a primeira tentativa de venda "virtual" que surgiu no início da década de 80 e procura incorporar os seguintes conceitos:
 
1 - Desmaterialização: substituição do movimento e contato físico por informação telefônica ou via catálogos e um contato virtual.
 
2 - Desintermediação: eliminação de um ou mais intermediários na cadeia de venda do produto.
 
3 - Grupo de afinidades: são produtos e serviços que possuem similaridades (em termo de divulgação e consumo) e que oferecem ao consumidor soluções apenas visuais, cujas características são inquestionáveis em termo de qualidade, preços e garantias.
 
Algumas empresas implementam o conceito e a infra-estrutura necessária para operar um centro de atendimento ao cliente, os chamados call-centers. Surgiram os sistemas de informação, os banco de dados, sistemas de telefonia com unidade de respostas audíveis, profissionais de teleatendimento e a interação entre comandos , dados e voz, que representa o ponto máximo de evolução do atendimento virtual.
 
Os recursos de telefonia integrados com sistemas de banco de dados aliados a uma filosofia de televendas proporcionam o início do comércio eletrônico que "acoplou" os recursos de Internet, home page, browser, servidor Web e provedor de acesso.
 
Este "mundo" virtual, com filosofias de consumo próprias ainda não claramente estabelecidas e compreendidas, envolve basicamente a facilidade de manipulação de um browser interrelacionando às necessidades do cliente e a oferta de produtos e serviços até a efetivação da compra segundo:
 
  • Learn: Como os clientes aprendem e adquirem informações gerais e institucionais sobre a empresa? São necessariamente informações correntes e consistentes, com foco e direcionamento nas necessidades dos usuários do browser.
  • Shop: Como os clientes consultam e escolhem as ofertas de produtos e serviços? São informações baseadas nas preferências do consumidor e na seqüência de ações no browser, auxiliando o consumidor a tomar decisões.
  • Buy: Como os clientes efetivam as transações de compras? Trata-se da facilidade do consumidor de preencher um pedido de compra onde não existe a necessidade de um contato do tipo face a face. Essas transações são suportadas por múltiplas formas de pagamento, devendo ser ágil e livre de erros no processamento do pedido de compras.
  • Support: Como os clientes poderão ter um suporte técnico e um serviço de atendimento no pós-vendas? Neste caso, considera-se o atendimento 24 horas por 7 dias de vital importância, e também, toda a comunicação interativa (do tipo pergunta/resposta escrita), além de contar com uma organização de processos e profissionais que identificam um problema e encaminhamento da solução com agilidade.
 Pontos Importantes do e-commerce
 
1) Merchandising – Qualquer varejista sabe que um produto bem apresentado sai mais rápido da prateleira. Na Web isso significa boas imagens, preços claros e informações completas dos produtos expostos. Também não se pode ignorar a localização dos produtos. Clientes entram nas lojas atraídos pelos produtos expostos na vitrine. Na Web, esses produtos ficam na primeira página.
 
2) Promoção - Os tradicionais anúncios em jornais, revistas ou televisão são substituídos por banners animados, e-mails ou promoções hot sell. Sempre anuncie produtos com apelo forte de venda. Então, é necessário preparar um plano de marketing e separar a verba para executá-lo.
 
3) Atendimento a Clientes - O processo de venda, virtual ou não, envolve várias etapas. Em cada uma delas há interação entre o consumidor e um funcionário da loja. Sendo assim é necessário estabelecer um canal de comunicação preciso, transparente e ágil. Caso contrário, os consumidores desaparecerão rapidamente.
 
4) Vendas - Para ter sucesso nas vendas, é necessária uma equipe de vendedores bem treinada e motivada. Na Web, isso pode ser feito com muito mais consistência e menos custo. Os produtos e serviços oferecidos devem apresentar informações detalhadas, bem como seus principais diferenciais em relação aos concorrentes, análises de jornalistas ou consumidores sobre sua qualidade e outras informações que possam ajudar o cliente a decidir a compra mais rapidamente.
 
5) Pagamento - Como a cultura de usar cartão de crédito pela Internet ainda é pouco disseminada no Brasil, é necessário oferecer formas de pagamento alternativas, como carteiras eletrônicas, depósitos identificados e cheque eletrônico pré-datado.
 
6) Pós-venda- Todo pós-venda deve estar disponível para consulta na Web, incluindo normas para troca ou devolução de produtos, dados cadastrais da rede de assistência técnica, perguntas e respostas mais freqüentes e informativos periódicos por e-mail sobre novidades, lançamentos, etc.
 
7) Segurança - O ponto mais importante do comércio eletrônico. Qualquer pessoa tem medo de comprar algo com o cartão de crédito pela Web. Por isso, não poupar recursos de segurança para tirar essa preocupação de seus clientes, é um fator importante. Isso inclui a adoção do SSL e processos de encriptação de informações nas bases de dados e comunicar claramente os clientes sobre a segurança oferecida no site.
 
8) Estoque - Para ganhar eficiência nas vendas, é importante separar fisicamente o estoque dos produtos vendidos pela Web. Mesmo assim, o tratamento gerencial deve ser igual ao de um estoque normal, com informações precisas de giro, custo e tempo de reposição.
 
9) Logística – É necessário preparar-se para entregar produtos individualmente e com rapidez. E não esquecendo dos custos de transporte. Se forem muito altos, a empresa não terá clientes também.
 
10) Monitoramento - Manter sistemas de acompanhamento precisos e informatizados. Se a operação não for muito bem controlada, os custos com retrabalho de informações irão comer qualquer margem deixada pela venda dos produtos.

A história da Internet

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Em dezembro de 1498, uma frota de oito navios, sob o comando de Duarte Pacheco Pereira, atingiu o litoral brasileiro e chegou a explorá-lo, à altura dos atuais Estados do Pará e do Maranhão. Essa primeira chegada dos portugueses ao continente sul-americano foi mantida em rigoroso segredo. Estadistas hábeis, os dois últimos reis de Portugal entre os séculos 15 e 16 - D. João II e D. Manuel I - procuravam impedir que os espanhóis tivessem conhecimento de seus projetos.

Pouco depois do retorno de Vasco da Gama a Lisboa, em agosto de 1499, D. Manuel I, em parceria com investidores particulares, organizava uma nova expedição para Calicute. Decidido a impressionar o monarca local, ou a convencê-lo pelas armas, o rei enviava agora uma expedição ostensivamente rica e poderosa, composta de 13 navios com uma tripulação estimada entre 1.200 e 1.500 homens.

Seu comando foi confiado a um fidalgo de 33 anos, chamado Pedro Álvares Cabral. A bordo, estavam presentes alguns dos mais experientes navegadores portugueses, como Bartolomeu Dias, o mesmo que dobrou o cabo da Boa Esperança, atingindo pela primeira vez o oceano Índico.

A partida da armada de Cabral foi programada para 8 de março de 1500, embora tenha sido adiada para o dia seguinte, devido ao mau tempo. Uma cerimônia espetacular foi organizada na ocasião pelo rei de Portugal. Toda a população de Lisboa - cerca de 60 mil pessoas - foi convocada para assistir a ela, o que era uma forma de oficializar o pioneirismo português no caminho da Índia, assegurando para o reino luso os direitos do comércio com o Oriente.

Cabral chega ao Brasil

Rumo ao Ocidente, a frota chegou às ilhas Canárias cinco dias depois da partida e dirigiu-se para o arquipélago de Cabo Verde, onde uma nau desapareceu no mar. Após tentar em vão encontrá-la, o comandante decidiu seguir a viagem. Cruzou a linha do Equador a 9 de abril, seguindo uma rota para o sudoeste que avançava nessa direção, comparativamente ao caminho seguido por Vasco da Gama.

No entardecer do dia 22 de abril, ancorou em frente a um monte, batizado de Pascoal, no magnífico cenário do litoral Sul do atual estado de Bahia. Antes de continuar a viagem para a Índia, os navegantes permaneceriam ali até o dia 2 de maio, tomando posse da terra, "em nome de d. Manuel I e de Jesus Cristo".

Assim, a chegada de Cabral ao Brasil é dois anos posterior à de Duarte Pacheco. Além disso, o atual território brasileiro já era habitado desde tempos pré-históricos. Cinco milhões de índios espalhavam-se particularmente ao longo do litoral, em 1500.

Por isso é preciso relativizar a idéia de que ocorreu um descobrimento a 22 de abril. Na verdade, a data marca a tomada de posse das terras brasileiras pelo reino de Portugal, o que significa a integração do país no contexto da história européia e global.

Cabral chegou ao Brasil por acaso?

Durante muitos anos, um outro aspecto da viagem de Cabral provocou polêmica: a chegada dos portugueses ao Brasil teria ocorrido devido ao acaso?

Atualmente, à luz dos fatos conhecidos, a teoria da intencionalidade já conta com o aval da ciência.

Em primeiro lugar, porque D. Manuel já estava informado a respeito da viagem de Duarte Pacheco e da chegada de Colombo ao Caribe, bem como recebera informações da viagem de Vasco da Gama, que observara indícios de terra firme ao passar ao largo da costa brasileira a caminho da Índia.

Além disso, vários outros elementos concorrem para aumentar as probabilidades da hipótese de Cabral ter outra missão a realizar no Atlântico, antes de seguir para o oceano Índico. Entre outros, podem ser citados:

1) as instruções confidenciais transmitidas pelo rei ao capitão-mor da armada, que jamais se tornaram conhecidas;

2) a permanência da frota na terra por uma semana, demora que não se justificaria caso o único objetivo de Cabral fosse atingir rapidamente Calicute; e

3) o grande interesse demonstrado em conquistar a simpatia dos indígenas brasileiros. A esquadra de Cabral deixou no Brasil dois degredados, com o objetivo de aprender a língua dos índios e recolher informações sobre o seu modo de vida.

Troca de gentilezas: inicia o escambo

A chegada ao Brasil, o desembarque e a estadia dos portugueses na terra foram documentados por vários integrantes da expedição, que escreveram cartas ao rei relatando os fatos. Somente três desses depoimentos chegaram até a atualidade. A "Carta de Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada, é o mais rico em detalhes.

De acordo com a narrativa de Caminha, a 21 de abril, os navios encontraram os primeiros indícios de terra: um tapete flutuante de algas marinhas, conhecidas dos marinheiros pelos nomes de "botelhos" e "rabos-de-asno". Na manhã seguinte, avistaram-se "fura-buchos", ou gaivotas, e, de tarde, o monte alto a que "o capitão deu o nome de Pascoal".
Ali os portugueses ancoraram e passaram a noite, a uma distância de 36 quilômetros da costa. No dia 23, veio a terra Nicolau Coelho, um navegador experiente, que travou o primeiro contato com um grupo de índios: "eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse as suas vergonhas. Traziam nas mãos arcos e setas".

O primeiro contato foi breve e amigável. Apesar do barulho da arrebentação do mar e do desconhecimento das respectivas línguas, tupiniquins e portugueses conseguiram se entender trocando presentes.

Conforme Caminha, "Nicolau Coelho somente lhes pôde dar então um barrete vermelho, uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. E um deles lhe deu um sombreiro de penas de ave, com uma copazinha pequena de penas vermelhas e pardas como de papagaios, e um outro deu-lhe um ramal grande de continhas brancas, miúdas, parecidas com as de aljôfar".

Índios a bordo

No segundo contato entre brancos e índios aconteceu na noite do dia seguinte, no lugar a que os portugueses chamaram de Porto Seguro.

Ao explorar a região onde pretendiam ancorar, o piloto Afonso Lopes "tomou, então, dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos, que estavam numa jangada".

Os índios foram levados a bordo da nau capitânea e apresentados a Cabral e a alguns dos principais da armada. "Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo: pegaram-no logo com a mão e acenavam para a terra, como a dizer que ali os havia. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso dele; uma galinha: quase tiveram medo dela - não lhe queriam tocar, para logo depois tomá-la, com um grande espanto nos olhos."

Primeira missa realizada no Brasil

Entre 24 e 25 de abril, um número maior de portugueses foi à terra e os contatos com os índios foram freqüentes. Na impossibilidade de comunicação lingüística, as tentativas de entendimento se basearam na troca de produtos entre índios e portugueses.

No dia 26, o primeiro domingo após a Páscoa, por ordem do capitão, o frade franciscano Henrique Soares de Coimbra rezou uma missa, no ilhéu da Coroa Vermelha, assistida pela tripulação e, à distância, em terra firme, por cerca de 200 índios, dos quais, ao final da missa, "muitos se levantaram e começaram a tocar corno ou buzina, saltando e dançando por um bom tempo".

A tarde continuou em clima de confraternização: "Passou-se, então, além do rio, Diogo Dias que fora tesoureiro da Casa Real em Sacavém, o qual é homem gracioso e de prazer; e levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. Logo meteu-se com eles a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e o acompanhavam muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhe ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras e o salto mortal, de que eles se espantavam muito e riam e folgavam."

Ao som de um tamborim

O caráter festivo dos encontros entre brancos e índios foi a regra durante todos os dias em terra, embora portugueses não deixassem de manter uma postura de desconfiança. Segundo o escrivão, "na quinta-feira, derradeiro dia de abril, [...] enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamborim nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus".

Em outro trecho de sua carta, três parágrafos antes, Caminha havia esclarecido que "estavam já mais mansos e seguros entre nós do que nós estávamos entre eles".

Em meio a essas festividades, os portugueses cuidaram também de preparar os navios para o prosseguimento da viagem. Em 1º de maio, ocorreu a cerimônia de posse oficial da terra. Uma grande cruz de madeira, com as armas reais de D. Manuel, foi erguida na baía Cabrália e Frei Henrique de Coimbra celebrou sua segunda missa. Os índios a assistiram numa atitude reverente que impressionou os portugueses.

Por sua vez, estes os presentearam com crucifixos de estanho. No dia seguinte, pela manhã, a esquadra partiu, deixando em terra dois degredados - condenados à morte que trocavam sua pena pelo exílio em terras desconhecidas. Para ambos, a situação era dramática: choravam muito, precisando ser consolados pelos índios. Só seriam resgatados dois anos mais tarde, em novembro de 1501, pela segunda expedição portuguesa ao Brasil.

Além deles, permaneceram na terra outros dois portugueses, que desertaram e cujo destino é desconhecido. Com a armada, Cabral seguiu rumo à Índia. A nau de mantimentos, sob o comando de Gaspar de Lemos, separou-se da esquadra, com o objetivo de retornar a Lisboa e comunicar ao rei o "achamento", palavra empregada nos textos da época. A 23 de maio, a armada atingia o Cabo da Boa Esperança, onde foi colhida numa tempestade que fez três embarcações naufragarem. Numa delas, estava Bartolomeu Dias que, assim, acabou sepultado justamente no local que o fez passar à história.



Terra dos Papagaios

Somente em setembro os portugueses atingiriam Calicute. Enfrentaram a hostilidade dos comerciantes muçulmanos que resultou num ataque à feitoria estabelecida pelos portugueses, em dezembro de 1500 (nele morreu o escrivão Pero Vaz de Caminha).

Ainda assim, a viagem de Cabral - que se encerrou em julho de 1501, com a chegada do comandante a Lisboa - foi coroada de êxito comercial e deu início ao comércio regular entre Portugal e a Índia. Os lucros por ele proporcionado fizeram com que o Brasil não ocupasse maior atenção dos portugueses durante quase 30 anos - período chamado de pré-colonial.

O território que Cabral chamou de Vera Cruz, rebatizado de Santa Cruz pelo rei, foi visitada por portugueses, espanhóis e franceses durante esse período. Os documentos e mapas da época mencionam-na dessa maneira, ou ainda como Terra dos Papagaios, como aparece em documentos de comerciantes e diplomatas florentinos. Data de 1512 o primeiro manuscrito a utilizar o termo Brasil, difundido oralmente pelo povo e que suplantaria gradualmente os outros, batizando definitivamente o país.

Descobrindo o Brasil


A célebre "Carta do Achamento do Brasil" foi escrita por Pero Vaz de Caminha em Porto Seguro, entre 26 de abril e 2 de maio de 1500. O escrivão só interrompeu o trabalho no dia 29, quando ajudou o capitão-mor a reorganizar os suprimentos da frota.

Enquanto o restante da armada seguiu para a Índia, o navio de Gaspar de Lemos foi despachado por Cabral para Lisboa, ao fim da estadia no Brasil, em 2 de maio. Por meio dele, a carta chegou ao seu destinatário. Das mãos de dom Manuel 1o, passou à secretaria de Estado como documento secreto, pois se queria evitar que chegasse aos espanhóis a notícia do descobrimento.

Anos mais tarde, o documento foi enviado para o arquivo nacional, localizado na Torre do Tombo do castelo de Lisboa ("tombo" tem aí o sentido de conservação, como quando se fala, por exemplo, em tombamento de uma cidade histórica). No arquivo, o manuscrito de Caminha - 27 páginas de papel, com formato de 29,6 cm X 29,9 cm - repousou esquecido durante os séculos seguintes.

O documento volta ao Brasil

Somente em 1773, o diretor do arquivo, José Seabra da Silva, mandou fazer uma nova cópia da Carta do Achamento. Seabra tinha ligações familiares com o Brasil. Supõe-se que por meio dele o texto de Caminha tenha chegado aqui, possivelmente com a sua transferência para o Rio de Janeiro quando acompanhou a família real portuguesa.

Essa cópia da carta foi encontrada no Arquivo da Marinha Real do Rio de Janeiro pelo padre Manuel Aires do Casal, que a imprimiu em 1817, tornando-a pública pela primeira vez. O documento ganhou particular importância para o Brasil com a Independência, em 1822.

Para o novo país, tratava-se do manuscrito que encerrava o primeiro registro de sua existência. Além disso, no século 19, com o desenvolvimento dos estudos históricos, os estudiosos reconheceram o valor dos documentos escritos como fontes privilegiadas para o conhecimento da história.

Análise linguística

Isso se deve ao fato de o português do início do século 16 estar bem distante do português tal qual é falado hoje em dia. Alteraram-se os sons ou os significados de algumas palavras, outras caíram em desuso, novos termos apareceram.

É o caso de "achamento", usado no século 16, e substituído por "descobrimento" nos dias de hoje.

Mas a simples transcrição de um trecho do original de Caminha pode deixar mais clara a ação do tempo sobre a língua e revelar o abismo histórico que se abriu entre o português do escrivão e o nosso:

"Posto que o capitam moor, desta vossa frota e asy os outros capitaães screpuam a vossa alteza a noua do achamento desta vossa terra noua que se ora neesta nauegaçam achou, nom leixarey tambem de dar disso minha comta avossa alteza asy como eu milhar poder aimda que pera o bem contar e falar o saiba pior que todos fazer."

Texto rico e envolvente

Como o português empregado por Caminha é muito diferente do atual, não se pode ter certeza do significado de algumas palavras empregadas pelo autor.

No caso de outras, sua significação simplesmente se perdeu no tempo. Há passagens da carta cuja compreensão depende das interpretações que os estudiosos propõem para preencher essas lacunas.

Felizmente, esses problemas não chegam a prejudicar a compreensão do texto como um todo. Nem impedem que se possa "traduzi-lo" para o português de hoje.

Com a intenção de informar ao rei o descobrimento e apresentar-lhe o que aqui se encontrou, o estilo do autor é claro e marcado pela objetividade, como convém a quem escreve um relatório.

Mas o texto acaba sendo mais do que isso, pois o escrivão não se comportou como um simples burocrata. Sua linguagem nunca é seca ou mesquinha. Pelo contrario, Caminha se dá o direito de ser bem-humorado, fazendo até trocadilhos e brincadeiras ao comparar o corpo das índias com o das mulheres portuguesas.

Além disso, a grande riqueza de detalhes e as impressões do autor sobre aquilo que via dão ao relato vida e uma grande dimensão humana, Caminha acompanha não somente as ações do índios e europeus, mas também as reações e atitudes que cada grupo tem em relação ao outro, chegando a perceber as emoções que o contato desperta em ambos.

Assim, por meio da sua narrativa o leitor parece entrar numa máquina do tempo e presenciar o momento em que portugueses e índios se encontraram no litoral baiano, quinhentos anos atrás.

Duplo valor histórico

A carta apresenta também um duplo valor histórico. De um lado, tem a importância de ser o registro documental do descobrimento ou da entrada do Brasil na história universal, constituindo uma espécie de certidão de nascimento do nosso país. De outro, tem o mérito de revelar que a história se faz também a partir de fatos corriqueiros (como o "baile" organizado por Diogo Dias e seu gaiteiro), protagonizados por pessoas comuns e sem intenções de grandiosidade e heroísmo.

No dia do Descobrimento do Brasil uma reportagem sobre a carta de Pero Vaz de Caminha

sexta-feira, 9 de abril de 2010


Foto que mostra o caos que tomou conta do Rio de Janeiro.

As chuvas que castigaram o Rio de Janeiro nos últimos dias mostraram a fragilidade da cidade frente a força das águas. E mais que isso, demonstraram de forma escancarada a total inabilidade tanto dos representantes eleitos quanto da população. Foi, e ainda é, assustador perceber que o descaso é muito maior do que se poderia imaginar.
Desde segunda-feira, os noticiários trazem manchetes e reportagens sobre as consequências das chuvas aqui no Rio e em Niterói. Dizer onde a situação é pior se mostra uma tarefa difícil já que a todo momento sabe-se de novos problemas. A tragédia não acaba e toma contornos cada vez mais dramáticos. E indignadores. Isso porque pessoas morreram por conta da omissão do poder público, que mesmo sabendo dos perigos iminentes nada fizeram para impedir que os desmoronamentos acontecessem ceifando vidas. Mais do que incompetência, o fato mostra uma total falta de responsabilidade.
A mídia tem divulgado matérias que omprovam que tudo o que aconteceu poderia ter sido evitado caso os governos estadual e municipal fizessem todo o possível para remover as pessoas das áreas de extremo risco a curto prazo e não mais fazendo melhorias em lugares que não comportam projetos de urbanização. Hoje foi divulgado que um decreto permite agora o uso de força para retirar famílias que vivem sobre risco de vida. Também foi pedido ajuda ao governo federal ajuda para amenizar o caos provocado pela chuva, mas do que adianta essa ajuda se as vidas perdidas não podem ser trazidas de volta e os traumas aos sobreviventes da tragédia não serão resolvidos tão cedo.


Bombeiros resgatando corpos de  vítimas dos deslizamentos.

Além do desinteresse do poder público, outro ponto que deve ser amplamente questionado é a ação da população. Acredito que as pessoas não podem mais alegar desinformação quanto a áreas de risco ou de cuidados com a cidade a fim de evitar os transtornos causadaos pela chuva. Não se pode mais ter notícias de alagamentos causados por lixo jogado em bueiros ou construções feitas em lixões desativados. O bom senso deve ser sempre levado em consideração ao escolher onde construir casas. Terrenos que obviamente não suportarão o peso das construções devem ser descartados e lugares propensos a deslizamentos também. É impensável saber que pessoas constroem casas em lugares que cairão e levarão tudo o que encontrar pela frente.
As pessoas não podem mais alegar pobreza para colocar suas vidas em risco. Isso é burrice. E chega até ser leviano acusar os governos de omissão quando se recusa um lugar melhor só porque ele é distante. Ou seja, mesmo com apelos e compensações, como o oferecimento de casas melhores do que as que as pessoas vivem, existem pessoas que escolhem ficar e correr o risco. E ainda usam a velha frase "Iss não vai acontecer comigo!". Até quando?
Basta com essa falta de noção de ambos os lados. Nessa queda de braço entre governos e cidadãos não haverá vencedores. Todos serão perdedores. Alguns morrerão por uma teimosia burra e os que ficarem carregarão para sempre o preço da sua escolha, seja ela permanecer em áreas de risco ou cruzar os braços frente a uma atitude suicida daqueles que devem olhar pela população. O poder público deve sim olhar para essas pessoas e elas devem aceitar ajuda. É sempre melhor morar um pouco mais distante com uma melhor segurança do que viver a proximidade mortal de terrenos inabitáveis. Já chega de mortes desnecessárias e totalmente evitáveis. Para isso é só as duas partes entrarem em consenso e respeitar a vida alheia.

Lula e Sérgio Cabral tentam planejar a reconstrução da cidade

Inabilidade político-social.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ao contrário do que muitos pensam e defendem vorazmente, não considero a Eliane uma pessoa falsa, muito menos manipuladora. Na minha percepção, a sister paga pelo excesso de sinceridade. É sempre assim com pessoas que utilizam de sinceridade: são julgadas como se fossem a pior das criaturas. Manoel Carlos aborda isso com a personagem Isabel (Adriana Birolli) em 'Viver a vida'´, que é tida como antipática e vilanizada por falar aquilo que as pessoas pensam e não querem ou não tem coragem de falar. Lia sempre disse o que quis, na hora que quis. E por isso criou o estigma de falsa. Não é. Para confirmar é só procurar no dicionário o que quer dizer essa palavra. A moça é dificil sim, mas não tem nada de falsidade em sua personalidade.
Lia já disse lá dentro que o Brasil está assistindo ao que ela tem de pior e o que tem de melhor, e parece que seu erro foi se expor demais com suas opiniões e visões do jogo. Visões essas que não foram errôneas, já que a participante do programa percebeu o jogo de Tessália e, em sua liderança, indicou a moça ao paredão. A partir daí, todos do grupo contrário a ela, e até alguns de seu grupo se voltaram contra a sister. Foi colocada em dois paredões pelo namorado da moça, Michel, que jurou fazer vingança a saída da amada. Percebeu o vai e vem de Dicesar e disse isso na cara dele, aconselhou Serginho a se doar mais ao jogo e por último percebeu a mudança de Fernanda, que depois de ler a palavra solteira em caps lock se soltou muito e iniciou o joguinho romântico com Serginho e a dar em cima tanto de Michel, quanto de Cadu. Curioso é que, nesse assunto, a opinião de Lia é exatamente igual a de Tessália que disse com todas as letras que fernanda não era o que parecia ou estava querendo parecer.
Aí cabe uma pergunta: onde está a falsidade de Eliane? E a manipulação? Ela percebe bem o jogo e sabe que seu jeito explosivo depõe muito contra ela. Mas ser chamada de falsa já é um pouco demais. Lia nunca disse uma coisa e fez outra. No seu destempero e falta de autocontrole, ela se indispôs com muitas pessoas. E agora que só ficaram pessoas a quem ela defendia, me parece  injusto e falso que pessoas que fizeram jogo sujo, de leva e traz, como Maroca, e pessoas que entraram no jogo preocupadas em fazer boa figura para o namorado aqui fora, como Fernanda, se voltem contra ela. Isso sim é falsidade. Pelo menos para mim.
Torço muito para que Lia vença esse paredão e que possa seguir com a consciência tranquila de que a última coisa que ela foi no BBB foi falsa.
Lia conversa com Fernanda e assume que tem ciume de Cadu.

Ontem me comoveu o choro de Lia quando Serginho foi eliminado. Ela questionou o por que de Bial não ter dito que ela era uma mãe para o brother, coisa que ela realmente foi. Desde o início do BBB, Eliane e Sérgio estiveram próximos, junto com Tessália e Michel e Bial errou ao dizer que Fernanda é amiga de Sérgio, já que isso só passou a ser focado após a sofrida liderança da loirinha.

O preço da sinceridade.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A partir de hoje, o Criando Pensamentos está de cara nova. Com um ar mais moderno, a revista eletrônica que imaginei fazer está entrando em uma nova era. Mais bonito e de fácil leitura. Espero que vocês curtam e sigam a gente.

Um blog todo novo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um assunto está bem comentado nesse ano em que o Big Brother Brasil ousou ao colocar três participantes assumidamente gays no jogo e ainda mais com um outro participante dito homofóbico. Homo, hetero e bissexualidade. Apenas três categorias para rotular a enorme fauna que está presente na sexualidade humana. Por isso acaba havendo uma divisão entre as pessoas, criando um conflito desnecessário. Para que fazer isso? Algumas pessoas agem como se a sociedade já não tivesse muito com o que se preocupar. Perde-se tanto tempo se interessando por decisões que são tão pessoais e desdenha de fatos que são bem mais importantes.
Acerca desse fato, grupos de pessoas que se autoproclamam defensores da moral e bons costumes são os primeiros a apontar o dedo, julgando e condenando homens e mulheres que se percebem, se aceitam e se assumemm homossexuais. Alegam que a Biblia diz que é pecado e bla bla bla. Alguns chegam ao absurdo de assassinar o foco de seu ódio, muitas vezes para matar o homossexual que existe dentro de si mesmo. O que é bem controverso, já que, seguindo da sua cartilha, deviam saber que um dos mandamentos sagrados é não matar o próximo e sim amá-lo como a si mesmo. Esses mandamentos, somados com a celebre frase 'quem nunca errou que atire a primeira pedra' faz com que suas alegações não sejam mais que bravatas para esconder um preconceito tacanho e rídiculo. Será que existe alguém tão perfeito a ponto de julgar outras pessoas? Isso me soa meio prepotente e inconsequente.
Nos últimos tempos, a sociedade viu surgir uma pessoa, que se dizia psicóloga e capaz de curar, ou melhor, capaz de criar ex-gays. Por favor. Se um gay pode virar hétero então um hetero pode tornar-se gay? Pergunta imbecil, eu sei. Mas o que pensar de algo assim tão surreal? Denominações e adjetivos nesse sentido me parece extremamente desnecessários e sem lógica. Com tantos problemas psicológicos realmente preocupantes, é mesquinharia pensar em promover a cura gay. Além do mais, o que realmente pode interessar com quem uma pessoa vai ou deixa de ir para a cama? Como se isso fosse de verdade afetar a beltrano ou fulano.
Cuidar da nossa própria vida já é uma tarefa bem hercúlea para ficarmos perdendo tempo especulando sobre a sexualidade alheia. Vontades e preferências são tão subjetivas que não cabem julgamento de valor. Padrões heteronormativos não podem ser considerados os mais corretos e nem menos corretos. Pessoas são diversas e essa é a graça de viver e conhecer cada uma delas. Ser hetero, bi , homo, trans ou seja lá o que se queira ser não determina caráter. Cada indivíduo tem total liberdade de escolher o melhor caminho para encontrar a felicidade pessoal. E todos devem respeitar essa escolha ou condição de vida.
Respeito continua sendo a palavra de ordem. Não se pode tomar para si a posse da verdade absoluta e tentar institucionalizá-la. Já pensou a grande bagunça que seria heteros julgando gays e vice-versa? Temos de praticar a tolerância e o amor ao próximo descritos nos mandamentos divinos pelo real bem-estar da nossa sociedade. Antes de ser gay ou hetero, somos todos pessoas. Somente pessoas. Com toda a variada gama de caráter e forma de ver e viver a vida.
E aí? Você tem mesmo vontade de atirar um pedra ou apontar o dedo para o erro alheio? Tem mesmo moral para isso? Não seja prepotente de se achar o ser perfeito em um mundo onde a grande graça é aprender a respeitar a tudo e a todos. Para ser respeitado, pratique o respeito ao seu semelhante. Mesmo que ele seja bem diferente de você.

Padronagem Social: Existe mesmo certo e errado?

domingo, 14 de março de 2010

Amores Ridículos



Uma vez eu soube que um poeta disse que todas as cartas de amor são ridículas... De certa forma, concordo com ele. O amor realmente nos faz ridículos! Mas não menos interessantes.

Amor! Ah, o amor!

Amor que move, que alegra, que entristece, amor que enternece, que entorpece, amor que cobra, que doa, que cega, amor que salva, amor que enlouquece...

São tantas as formas de sentir o amor...

Talvez por isso sejamos patéticos quando nos deixamos dominar por ele.

Amor tão paradoxal que nos faz viver em extremos...

Ora somos imensamente felizes, ora infinitamente tristes...

Isso depende da reciprocidade do sentimento.

Quem nunca quis ser ridículo a ponto de escrever cartas, bilhetes ou poemas de amor?

Quem nunca sentiu uma ponta – ou um iceberg – de inveja ao testemunhar ou ler um ato de amor?

Quem nunca sentiu o prazer de escrever algo romântico?

Você que está lendo pode dizer que nunca escreveu... Mas será que nunca teve vontade? Nunca mesmo?

Será que você nunca recebeu essa demonstração tão linda?

Se sua resposta foi negativa, sinto informar que você não viveu! Porque só vive plenamente quem ama e deixa-se amar!

Por mais brega, cafona ou ridículo que possa parecer, o ato de passar para o papel o amor que se sente, é uma das mais lindas formas usadas para se sentir vivo!

Por isso sejamos cada vez mais ridículos!

Cartas de amor são a tradução do sentimento mais lindo que existe: o amor!

Escrevam mais cartas! Recebam mais cartas!

Sejam ridículos!

Mas lembre-se que cartas não substituem gestos de amor!

Então adotem em suas vidas atitudes que comprovem esse amor...

Sem nenhum receio de parecer ridículo!

Basta ver o reconhecimento dado a poetas que tem a capacidade de transcrever tão bem esse sentimento que nos faz tão felizmente ridículos!

Amores Ridículos!

Tem fatos que acontecem na sociedade que me deixam boquiaberto tamanha a injustiça. Um recente exemplo disso é o caso do cartunista Glauco e seu filho. O assassinato de pai e filho está sendo investigado de forma exemplar pela polícia paulista que promove uma caça ao assassino com muito empenho. Até altos comandos da polícia foram envolvidos na investigação. Até aí nada a reclamar, já que o crime deve ser mesmo solucionado e os culpados julgados pelos atos barbaros que cometeram. Mas será que se fosse com outra pessoa, menos famosa e que despertasse menos comoção, o caso seria conduzido do mesmo jeito?
A resposta é não. Infelizmente. Quantas mães tiveram seus filhos assassinados de forma bem parecida ao caso e não tiveram tanta repercussão e empenho da polícia na resolução do crime? Muitas. Talvez milhares tenham tido suas vidas destruídas em atos dessa natureza. Mas por que os outros casos não tem o mesmo privilégio? é preciso ser famoso e reconhecido socialmente para ter seu direito a vida respeitado?
Não estou dizendo que a polícia está errada de agir assim. Estou questionando por qual motivos apenas uma parcela da população é tratada com esse respeito? Somos todos iguais perante a lei e por isso não pode haver desigualdade no tratamento de casos desse tipo. Prendam, julguem e condenem esse monstro que ceifou a vida do cartunista e seu filho, mas também prendam, julguem e condenem os assassinos do José, da Maria, de fulano, de beltrano...

Questionamentos eternos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Tenho andando assustado com o rumo que está tomando o assunto Marcelo Dourado. Existem tantas informações na mídia sobre a repercussão que as palavras do cara, que já beira a histeria coletiva. Pessoas criticam as atitudes dele e outras vem em sua defesa de forma bem enfática. Jornalistas e blogueiros estão sendo ameaçados de morte pelo simpatizantes ao lutador (epa! será que vou ser processado por denominar os 'amigos' de Dourado de simpatizantes?), que usam de mensagens coercivas a fim de calar o direito de manifestação do pensamento de quem não corrobora as tiradas do participante do reality show. Acredito que as pessoas estão perdendo o senso de realidade e tomando a defesa de quem não precisa ser tão enfaticamente defendido. É preciso que aja respeito pelas opiniões de todos e não partir para a agressão só porque existem opiniões contrárias. Já imaginou se os que não gostam de Dourado também apelassem para esse tipo de subterfúgio? Estaríamos todos mortos, afinal a diferença nas opiniões é que dá vivacidade a convivencia em sociedade. Sabe aquela história que diz o que seria do azul se todos gostassem do amarelo? O fato é que as pessoas estão tão ligadas ao show global que esquecem que dando a vitória ou a derrota ao Dourado, suas vidas continurão as mesmas. Sem nenhum centavo a mais na conta. Aliás, do jeito que as coisas vão, muitas pessoas ficarão no prejuízo por esse amor ou esse ódio tão arraigado. Pessoal, por favor. Ponham a mão na consciência e veja que isso tudo é uma tremenda bobagem. Não dêem mais seriedade do que o assunto merece. Aquilo ali é um jogo e é dessa forma que deve continuar.

Somente um jogo