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segunda-feira, 14 de março de 2011

Japão pede ajuda aos EUA e à agência da ONU para impedir colapso nuclear

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O Japão pediu formalmente aos Estados Unidos ajuda para controlar suas usinas nucleares, que sofreram com a violência do terremoto seguido de tsunami que atingiu o país na última sexta-feira (11), informou a Comissão Reguladora Nuclear americana (NRC).

- O governo japonês pediu oficialmente ajuda aos Estados Unidos - afirmou a comissão, que estuda como poderá ajudar o país.

O número de mortos subiu para 1.833, segundo a Polícia Nacional, e deve subir ainda mais, já que não foram contabilizados cerca de 2.000 corpos encontrados hoje no litoral da província de Miyagi. Além destes, mil corpos foram achados na península de Ojika e outros mil na cidade de Minamisanriku, informou a agência Kyodo. É possível que o número de mortos ultrapasse os 10 mil, segundo informações da imprensa japonesa.

Hoje, o governo japonês também solicitou oficialmente à Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) --que integra a ONU (Organização das Nações Unidas)-- que envie uma equipe de especialistas para ajudar a impedir que ocorra um colapso nas usinas nucleares do país. O pedido de ajuda foi anunciado hoje pelo diretor-geral da agência, Yukiya Amano.

A Aiea fez uma oferta formal ao governo japonês imediatamente depois do terremoto e tsunami de sexta-feira passada, que provocaram graves danos à usina nuclear de Fukushima 1, 250 km a nordeste de Tóquio.

Também hoje, autoridades japonesas informaram que as barras de combustível do reator 2 da usina nuclear de Daiichi, em Fukushima, no nordeste do Japão, estariam novamente expostas devido a uma nova queda do nível da água de resfriamento, aumentando os receios de uma eventual fusão dos reatores. As informações são da agência de notícias Kyodo.
O chefe de gabinete nuclear, Yukio Edano, disse nesta segunda-feira (14) que a situação ainda não foi verificada “diretamente”, mas “é altamente provável que aconteça” a fusão.

Segundo a emissora japonesa NHK, as tentativas de resfriar a temperatura dentro da câmara do reator número 2 não funcionaram.

Por isso, o bombeamento de água no circuito de refrigeração teve que ser bloqueado, reduzindo o nível de água dentro do reator e impedindo o resfriamento da temperatura das barras, segundo informou a operadora Tokyo Electric Power (Tepco) à imprensa local.

Explosões e vazamentos

A usina Fukushima foi alvo de duas explosões desde o terremoto que atingiu o país na sexta-feira. Depois de uma explosão provocada por acúmulo de hidrogênio no recipiente secundário de contenção dos reatores número 1 e 3, o reator número 2 da central apresentou uma pane nesta segunda-feira.

Por conta das explosões, o nível de radiação chegou a ficar oito vezes maior do que o normal no entorno da usina e mil vezes acima do padrão dentro do reator. O governo japonês ordenou que dezenas de milhares de famílias que vivem num raio de 20 km das usinas nucleares deixassem suas casas.

No entanto, a radiação liberada nas usinas nucleares é considerada baixa e não oferece riscos à saúde e ao ambiente. As medidas de precaução tomadas pelas autoridades locais permitem descartar, por enquanto, qualquer efeito à saúde humana, indica o Comitê Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Atômica (Unscear).

- Por enquanto, do ponto de vista da saúde pública, não estamos preocupados - declarou, nesta segunda-feira, à agência Efe, Malcolm Crick, do secretariado da Unscear em Viena.

Segundo o especialista, de acordo com a informação que se dispõe até agora, "todas as emissões (radioativas) que ocorreram são de muito baixo nível".

O responsável técnico desse comitê assinalou que uma pessoa teria de estar entre 12 e 15 horas na zona afetada, no momento de maior emissão, para receber a radiação equivalente a uma ação radiológica de uma TAC (tomografia computadorizada).

- São níveis acima do normal, mas em nenhum caso representam uma ameaça para a vida - explicou Crick.

Segundo ele, é preciso acompanhar e analisar a situação cuidadosamente, até que a situação nas usinas nucleares volte a estar sob controle.

Por enquanto, segundo os relatórios das autoridades japonesas, a blindagem dos dois reatores da usina Daiichi, em Fukushima, permanece intacta.

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