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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Lea T fala sobre sua vida

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Filha do ex-jogador Toninho Cerezo, a modelo transexual Lea T falou em entrevista a "Veja" desta quarta-feira (4) sobre como está se preparando para a cirurgia de mudança de sexo que pretende realizar em março.

- Mesmo com a cirurgia, eu nunca vou ser mulher. E também não serei homem. Eu vou ser sempre o do meio - comentou a modelo, cujo nome oficial é Leandro Medeiros Cerezo.

Lea também falou sobre o sentimento de inadequação que o acompanha desde a adolescência.

- Eu não ninha namorada, nem namorado. Aliás, nunca tive nem um nem outro. O sexo para mim era nulo - explicou a modelo, que só iniciou a vida sexual após os 20 anos e afirma não ter gostado - Foi rápido, desconfortável. Eu tinha e ainda tenho muita vergonha do meu corpo - disse.

A jovem, que no fim do mês desfilará na SPFW para o estilista Alexandre Herchcovitch, também desmentiu os rumores de que o pai a tivesse renegado.

- Meu pai disse que eu vou ser sempre o negrinho dele. Que me ama se eu for homem, mulher ou cachorro. Minha mãe é muito religiosa. Ela não aceita, mas diz que não vai me abandonar - conclui.

Lea T. também falou sobre a operação de mudança de sexo em entrevista para a revista brasileira "Marie Claire" do mês de dezembro. A modelo transexual brasileira ganhou notoriedade no mundo ao aparecer na campanha da Givenchy.

Sobre como compreendeu que Leandro não poderia continuar vivendo "como homem", a modelo afirmou que nunca teve um ideal masculino com o qual se identificava.

- Eu cresci em um ambiente muito feminino. Meu pai estava longe: eu vivia em osmose com a minha mãe, minhas irmãs. Nunca tive um ideal masculino com o qual me identificar - disse - Quando meu pai vinha para casa e me observava, dizia que não estava certa. Com o passar dos anos começaram a rezar para que eu fosse gay. Teria sido mais fácil, o menor dos males.

Sobre a mudança de sexo, Lea T diz que predende fazer a cirurgia, mas sabe que não será uma mulher completa.

- Já ouvi mil vezes trans dizerem: 'Com a operação finalmente me tornarei mulher'. Eu não penso assim, sou realista. Sei que terei uma vagina reconstruída, que não é um verdadeira vagina, sei que provavelmente não viverei a experiência do prazer feminino, sei que nos documentos serei uma mulher e isso facilitará a minha vida, ou pelo menos assim espero. A escolha é entre ser infeliz para sempre ou tentar ser feliz.

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